Jan 26

Não fazia nem 10 minutos que o pessoal aqui de casa tinha saído, para o baile de formatura do meu primo, quando o telefone começou a tocar. Achei estranho, pois raramente o telefone aqui de casa toca depois das 22h., mas mesmo assim fui atender.

Ao ver um número de celular no identificador de chamadas logo imaginei que alguém tivesse esquecido alguma coisa, mas para minha surpresa do outro lado da linha havia uma voz afetada, aos gritos:

- Pai, socorro, pai, uns bandido (sic) me pegaram e eu tô com uma arma apontada pra minha cabeça!!!

Por mais que já tivesse ouvido falar centenas de vezes, em praticamente todos os meios de comunicação, sobre o tal golpe do falso seqüestro, confesso que imediatamente procurei ligar a voz esganiçada à de algum conhecido.

A adrenalina era tanta que, embora eu não tenha filhos, por uma fração de segundos me esqueci que a pessoa havia falado a palavra “pai” e automaticamente pensei no meu sobrinho de 15 anos. Felizmente consegui manter a calma e inventei um nome qualquer:

- É você, Alex?

- É… - disse a voz sem muita certeza - é eu mesmo (sic) e eles tão falando que se você não der dinheiro pra eles, eles vão estourar minha cabeça.

Aquela altura do campeonato eu já havia me dado conta de que se tratava do batidíssimo golpe e, num misto de alívio e sadismo, saí com uma frase que, mais tarde, fumando um cigarro enquanto digeria toda a história, nem mesmo eu acreditei que tinha dito:

- Então morre, filho-da-puta!