Doutor Junior é uma brincadeira, um apelido que ganhei quando revelei aos amigos mais chegados minha intenção de largar tudo pra fazer medicina. Por "tudo" entenda-se um emprego bom, com um salário bom (para minha pouca idade) e grandes possibilidades de crescimento numa empresa em franca expansão. Legal, né? Não pra mim.
Eu estava prestes a meter as caras no financiamento do meu primeiro carro quando me dei conta de que estava infeliz. Tipo angústia, sabe? Daí fui fazer terapia, procurei ajuda médica, até em pai de santo fui bater. Demorou um pouco pra eu perceber que a possibilidade de levar aquele tipo de vida pro resto da minha vida é que estava me deixando triste.
Somente quando me sentei na frente do psiquiatra, na minha primeira consulta, é que me dei conta de que eu estava do lado errado da mesa. De cara rolou uma empatia e naquele momento eu tive certeza de que era aquilo o que eu queria fazer até o fim dos meus dias.
Joguei tudo pro alto. Não pensei duas vezes. A tristeza foi embora junto com as camisas polo que eu tanto odiava e que era obrigado a usar. O que eu não imaginava é que seria tão difícil. E olha que eu não estou nem falando do curso (quem faz sabe a pedreira que é), tô falando é do vestibular, da concorrência, dessas paradas todas – ainda mais numa cidade como São Paulo.
Eu achava que tinha vencido a luta quando entrei pra faculdade, mas logo percebi que a batalha maior é de quem já está dentro. E é justamente disso que eu quero falar no blog. Seguindo uma linha meio terapia, meio diário de bordo, pretendo narrar as venturas e desventuras de um estudante de medicina até o sonhado diploma de médico. É bom. Mas que ninguém pense que é fácil.

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