26 de novembro de 2011

A Medicina e Eu


fonte: http://www.hcnet.usp.br/banco_imagens/index.htm
Meu primeiro contato com o maravilhoso mundo da medicina se deu pelas mãos de minha mãe. Eu era pivete ainda quando ela passou no concurso para auxiliar de enfermagem no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, vulgo HC. Nossa vida mudou a partir dali.

Termos como AVC, decúbito dorsal e cefaléia se tornaram comuns em nossa casa e todo dia havia uma história nova, sempre envolvendo o ambiente hospitalar. Mamãe amava o que fazia e falava com gosto sobre os acontecimentos que presenciava nos corredores do “maior hospital da América latina”, como fazia questão de frisar.

Na primeira vez em que botei os pés no prédio dos ambulatórios tive certeza de que aquela era a rotina que eu queria pra mim. Embora já tivesse estado diversas outras vezes em diversos outros hospitais, até então eu nunca tinha vista o “outro lado”. A partir daquele momento passei a enxergar os médicos como super heróis, pessoas que deixam a família em casa pra salvar vidas.

Essa minha visão infantil, fantasiosa até, mudaria com o passar do tempo... Anos depois, ainda que indiretamente, seria minha mãe quem me puxaria de volta para o ambiente hospitalar, fazendo reacender dentro de mim o desejo de seguir carreira médica.
Mamãe sofria de hipertensão arterial sistêmica e veio a falecer em decorrência de uma série de complicações originadas a partir dessa patologia. Durante os 7 dias em que ela permaneceu internada em um hospital público da periferia de São Paulo tive a oportunidade de conviver com toda sorte de profissionais.

Ali pude constatar que, a despeito de todas as dificuldades que um profissional de saúde encontra em um ambiente como esse, existem pessoas que fazem a diferença e, exatamente como aquele menino lá de cima imaginava, acreditam que estão ali para salvar vidas.

De repente foi como se eu voltasse a ter sete anos e recobrasse a crença nos super heróis da minha infância. Ainda que não estivesse mais comigo, minha mãe havia me mostrado novamente o caminho. Só dependia de mim aceitá-lo.

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